Parece que ainda foi ontem que o futuro herdeiro ao trono do
Reino de Valadín nasceu. Os trovadores escreveram músicas sobre o pequenito
desde o primeiro dia, honrando, efusivamente, os servicinhos que a criança
fazia e a regularidade dos mesmos, cantando também a respeito dos atropelos às
mamas da mãe, demonstrando uma devoradora vontade de rei. “Vai ser dos bons
este!” espalharam os plebeus pelas ruas sujas da nação, honrando o pequeno
senhor que, por momentos, os fazia esquecer da miséria e imundice em que viviam
imersos: limpa-lhes as casas e as almas, o querubim!
O Rei Taldur fez questão de, dois dias antes ao nascimento
da criança, se dirigir às catacumbas do castelo e visitar Dénolis, especialista
na arte das mezinhas para sultura e hemorroidas e, aparentemente, com um
doutoramento em “quero um filho varão, seu traste!”. Taldur vivia angustiado
com a possibilidade de o útero da rainha conceber mais uma filha, estava
cansado de ceder aos caprichos das outras duas pequenitas, já na flor da idade
e com uma propensão especial para passarem dias inteiros a ouvir as mais
recentes boy’s bands de neo pop trovadoresco, enchendo os
aposentos com retratos em linho dos vocalistas em poses comprometedoras e a
exibir os pêlos do peito, descolorados!!!!!!!!!! Desta feita, qualquer porcaria
verde num frasco era suficiente para que o reizinho ficasse satisfeito, bastava
que a sua senhora emborcasse aquilo e que, se os Deuses quiserem e a porcaria
verde ajudar, o pequenote nascesse, gordo e nobre.
A criança cresceu, traquina e senhor de si: um bardino
nascido em ouro. Aqui e ali, ia espetando o real bastão nas plebeias mais
apetitosas. Numa mulher, agradava-lhe particularmente uma relativa abundância
de massa adiposa sob o queixo, juntamente com um par de tornozelos que
denunciasse a presença de pilosidades na região inferior da dita fêmea. Mas
este não era um senhor qualquer: o agora homem feito fazia questão de usar,
sempre que possível, a tripa de porco feita à medida para a real coisinha, pois
lera no almanaque juvenil que era esta a mais recente tendência de Valadín,
acessório que todo o jovem moderno deveria sempre usar quando pretendesse
satisfazer a lascívia típica da idade! Quando se esquecia de a colocar, e
estando o serviço já feito, obrigava as pequenas a tomar uma porcaria verde que
pedira a Dénolis para resolver a falta de tripa, uma espécie de pílula do dia
seguinte do tempo dos reis e das mulheres peludas. Invariavelmente, começaram a
surgir os bastardos e, claro está, rolou a cabeça do curandeiro.
A derradeira ironia foi quando, pouco tempo depois, todo o
Reino assistiu à morte do herdeiro de Valadín, que morrera de súbita sultura
aguda, sem mezinha que a curasse. O rei secara a bica e a rainha nada podia
fazer. Morre o rei, carregado de sífilis até aos ossos. Condenada estava a
esposa, sem culpa das aventuras do putanheiro do marido, acabando por se ir com
o mesmo mal. Ficaram as filhas, não se sabe qual a mais pobre de espírito, que
deixaram tudo na mão dos maridos: dois badamecos com os pêlos do peito
descolorados.
(Pequena sátira aos costumes e ao fraco discernimento, representando uma variação no tipo de post que tenho vindo a fazer)
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