29 de setembro de 2015

Sétimo

- Estou cansado, filho.
Hoje, os olhos dele não brilham: quem tos roubou? Terá sido a menina do pátio que te despiu de ti mesmo? Hoje não te conheço, não sei de quem são estes olhos que olham para mim, nem de quem é esta alma que grita surdamente. Falo com um estranho porque é o que tu és hoje.
- Então, vô? 
- Perdi-a, filho. Maldito destino que me tira o que me pertence, maldito aquele que a fez ir embora de mim. Os meus olhos foram com ela: agora não são mais que vidro transparente a estalar, com a minha alma rasgada para o mundo inteiro ver, e este talhante hábil a cortá-la em pedaços cada vez menores, a reduzir-me ao pó dos tempos e da saudade dela. Tira-me deste sol, estou cansado, filho. 
Vagarosamente, levei o meu avô pelo jardim, como guia da alma cega que não sabe por onde se virar, aterrorizado pela solidão de outros tempos, tão ousada, tão inusitada, tão despropositada. Velhos conhecidos que se encontravam novamente, tão despropositadamente quanto o tempo sabia bem ditar. Deus. Ceifeira. 
- O banco de jardim, filho... Leva-me para lá. 
Escorreu uma lágrima, e outra, e outra, 13 lágrimas assim foram, 13 como o destino soube fazer escorrer. Sete maçãs no chão, pisadas. Da última vez que as vira, falava com a sua querida do jeito que bem sabia, do jeito que surgia nos encontros mais românticos, mais sentidos, e todas as sete penduradinhas e reluzentes, no ponto. 
Sete maçãs podres no chão, treze lágrimas salgadas de tempero: caldinho do destino.

19 de setembro de 2015

Uma mensagem de todos nós

Agora que acabou o Mar Salgado creio que vocês, nossas caríssimas leitoras têm mais tempo disponível para outras paragens, tais como ler blogues. Sim, vocês do sexo feminino.
Por favor, não digam que vão estar pouco tempo numa loja. Não digam "é um minuto, já volto" antes de entrarem na Zara. Loja essa que, para mim, é o deserto do Sara, neste caso, do Zaara. Fico com muita sede quando por lá passo, apanhando uma tremenda seca.
A questão é que nunca é rápido. Se disserem que o é estão a criar expectativas que só dão esperança a um indivíduo e, no final de contas, só pioram a situação. Pensem nos vossos homens, seja qual for a relação que têm com eles, quando entram numa loja de roupa. Vocês não conseguem perceber essa agonia mortal de estarem agarradas a um corrimão, capazes de apanhar Gripe A, com sacos na mão à espera dessa luz verde que tende a nunca aparecer. Dirigindo-me agora, num pequeno aparte, para os senhores dirigentes de todos os centros comerciais para darem andamento a essa fantástica campanha que aguardo desde pequenino. Ponham sofás à porta das lojas de roupa mais frequentadas. Não se põem sofás à frente da Parfois, da Calzedonia ou de outras lojas de menores dimensões, põem-se à frente de Zaras, Primarks e Blancos.
Sei que tanto vocês, mulheres, como os dirigentes, repartem culpas nesta balela, mas minhas queridas, vocês devem-nos isso. Zelem pelo nosso bem estar, mais precisamente pelo das nossas pernas, e gostaremos de vocês para sempre

Um bem haja

9 de setembro de 2015

O mês infernal

Desculpem o atraso. Chegou setembro, também conhecido como pain in the ass. Tudo vai trabalhar, as redes sociais enchem-se de comentários de que os tempos de trabalho estão a voltar, ocorrendo a grande seca de posts do estilo bitaiteiro que eu tanto gosto, porque o regresso ao trabalho cria limites de disponibilidade.
Este setembro surpreendeu-me pela positiva, para já, porque não há nova edição de Secret Story Portugal. É bom para mim, bom para as discotecas do país que assim pagam cada vez menos dinheiro aos concorrentes de temporadas passadas cuja fama está a sumir gradualmente, rumo ao esquecimento, e mau para a TVI, o que é bom para mim, porque eu não gosto da TVI. E que isso fique bem registado. Até sublinho e ponho a negrito. Eu não gosto da TVI.
Não gosto da TVI mas até gosto de Green Day. Parece que estou a ser entrevistado pelo Daniel Oliveira mas não, sou só eu a falar do presente mês. Já agora fica aqui uma mensagem para ti Daniel: diz à tua namorada para POR FAVOR parar de estar em direto no Facebook. Muito sinceramente, ninguém quer saber o que acontece nos bastidores do programa "Grande Tarde". Se fizessem o mesmo no Top Gear, as pessoas gostavam de assistir, saiba-se lá porquê.
Adiante. Gosto de Green Day, mas não me acordem quando Setembro acabar. Há jogos da Liga dos Campeões para ver, amigos para reencontrar no trabalho e um restinho de férias para aproveitar. Desta vez vou ter que discordar contigo caro Billie Joe. Sinceramente não percebo porque é que a banda tem uma música com tal título e outra chamada "Holidays" em que você grita tal vocábulo euforicamente.
O mundo por vezes é confuso.