Tanto, tentando, faço e quero: quero em demasia.
Mais que
esse tanto tenho e posso ainda mais,
embora infelizmente tão somente em fantasia.
Queria de
mais ter uma leve margem encarnada:
e disso,
pobre, não tenho nem posso nada. Nada.
Queria de mais ultrapassar uma página encurtada:
e disso, pobre,
não tenho nem posso nada. Nada.
Queria o
mesmo peso em carne doutra margem:
e disso, tolo carente, menos que nada tenho,
disso, só
doutros tempos desvanecida imagem.
Talvez aí fosse mais: muito capaz de muito tentar
ultrapassar. Dar o salto entre duas margens, pular.
Fazer carreira, à constante radiante, em sonhos,
estrelas, cometas e outro tipo de ser ofuscante,
sem falsas quimeras. Não gosto nada de planetas.
No mínimo, eu
sou quem escreve sobre um lenço,
ironicamente,
fantasiado, penso, ou sobre alguém.
Papel meio
branco meio enrugado ou ninguém.
No máximo –
GARGALHADA HISTÉRICA – ninguém.
Podem gritar bem alto, lá do cume desconhecido.
Não ouvirei sequer baixo, mesmo só, cá em baixo.
Podem até esperar mil séculos para me ouvir.
Não
gritarei. Não pronunciarei o som mais frágil.
Só o som do
silêncio acalma o calmo que sou eu.
“O mal é que eu já não sei quem
eu sou”
Eu. Eu, só
mais um dos dos grandes devaneios e
irreais
utopias, estou calmo, já que algo acalmou
este eu (pobre
tolo carente sonhador iluminado
de alma não
terrestre morta pois sem esperança).
E sei que
desta vez não foi o som do que não ouço.
Eu. Eu, um
dos tais que tal e tal que é tal, creio,
moço, mais que
toda adjetivação pode, iludido:
talvez, talvez fosse meramente o fantástico caso
de não haver margens. Nem uma… Nem duas.
talvez, talvez fosse só o deleitoso toque seda
do lenço de
papel meio branco meio enrugado.
Mas não sei,
eu, que nunca soube nada de nada,
nunca, somando ao que não sei do nada de nada,
nem esperando mil ou mais séculos, irei saber
sequer o que, mesmo que coisa nenhuma, debito.
sequer o que, reto, curvilíneo ou indefinido, está,
mesmo sem linhas retas de ondas e ondas, escrito.
Embora veja, através de nebulosas verde cinza,
todo um azul a esse semelhante. Todo um azul
do fulminante engenho misterioso desta garra.
Posso confessar sem mentira complexa e sem
complexo mentiroso a verdade. A minha verdade:
não tive sequer aquela flagrante oportunidade,
a dos amantes inebriados de altos e cimos em
níveas montanhas e cuspes infernais de vulcões,
neste, finito infinito tudo nada energia matéria
átomos iões real irreal luz negrume paraíso vácuo,
Universo de escolher o ponto ideal, sem o saber,
(O que é o PoNtO iDeAl? O que é o pOnTo IdEaL?)
que, por nem
tão pouco conhecer, sei descrever
única e
exclusivamente, quase como notícia do
jornal mais caro da papelaria ao lado, em sonhos.
Embora andasse eu em águas puras penetráveis
de desfiladeiros que são gargantas sem secar e
que cantam profundezas de vales e rios rápidos.
Tomam, inocente e irremediavelmente, o ideal
por, veja-se lá a inocência desses sem remédio,
perfeito. Muito me engano, eu, a eles não igual
e, assim sendo, pobre. Pobre sou. Pobre sou eu.
Pobre eu. Repetidamente pobre por ser pobre.
Não queria ser áspero ao ponto de deixar aqui
atestado, neste poema cheio de vírgulas e outros
sinais de pontuação sobre um lenço de papel
tão sedoso e calmo quanto transcendente, isto:
como vírgula esquecida, vai a minha vida… - vida?
E neste olhar mais que cinzento florestal nem vejo
nada,
tirando o lenço de papel seda e mar imenso…
Porque não pude. Porque não pude escolher!
(Assoei o
nariz. Afinal o lenço sempre me serviu de alguma coisa!)