13 de fevereiro de 2016

Ode falhada sobre alguém que escreve sobre um lenço

Tanto, tentando, faço e quero: quero em demasia.
Mais que esse tanto tenho e posso ainda mais,
embora infelizmente tão somente em fantasia.

Queria de mais ter uma leve margem encarnada:
e disso, pobre, não tenho nem posso nada. Nada.
Queria de mais ultrapassar uma página encurtada:
e disso, pobre, não tenho nem posso nada. Nada.
Queria o mesmo peso em carne doutra margem:
e disso, tolo carente, menos que nada tenho,
disso, só doutros tempos desvanecida imagem.
Talvez aí fosse mais: muito capaz de muito tentar
ultrapassar. Dar o salto entre duas margens, pular.
Fazer carreira, à constante radiante, em sonhos,
estrelas, cometas e outro tipo de ser ofuscante,
sem falsas quimeras. Não gosto nada de planetas.

No mínimo, eu sou quem escreve sobre um lenço,
ironicamente, fantasiado, penso, ou sobre alguém.
Papel meio branco meio enrugado ou ninguém.
No máximo – GARGALHADA HISTÉRICA – ninguém.

Podem gritar bem alto, lá do cume desconhecido.
Não ouvirei sequer baixo, mesmo só, cá em baixo.
Podem até esperar mil séculos para me ouvir.
Não gritarei. Não pronunciarei o som mais frágil.
Só o som do silêncio acalma o calmo que sou eu.

               “O mal é que eu já não sei quem eu sou”

Eu. Eu, só mais um dos dos grandes devaneios e
irreais utopias, estou calmo, já que algo acalmou
este eu (pobre tolo carente sonhador iluminado
de alma não terrestre morta pois sem esperança).
E sei que desta vez não foi o som do que não ouço.
Eu. Eu, um dos tais que tal e tal que é tal, creio,
moço, mais que toda adjetivação pode, iludido:
talvez, talvez fosse meramente o fantástico caso
de não haver margens. Nem uma… Nem duas.
talvez, talvez fosse só o deleitoso toque seda
do lenço de papel meio branco meio enrugado.

Mas não sei, eu, que nunca soube nada de nada,
nunca, somando ao que não sei do nada de nada,
nem esperando mil ou mais séculos, irei saber
sequer o que, mesmo que coisa nenhuma, debito.
sequer o que, reto, curvilíneo ou indefinido, está,
mesmo sem linhas retas de ondas e ondas, escrito.
Embora veja, através de nebulosas verde cinza,
todo um azul a esse semelhante. Todo um azul
do fulminante engenho misterioso desta garra.

Posso confessar sem mentira complexa e sem
complexo mentiroso a verdade. A minha verdade:
não tive sequer aquela flagrante oportunidade,
a dos amantes inebriados de altos e cimos em
níveas montanhas e cuspes infernais de vulcões,
neste, finito infinito tudo nada energia matéria
átomos iões real irreal luz negrume paraíso vácuo,
Universo de escolher o ponto ideal, sem o saber,
(O que é o PoNtO iDeAl? O que é o pOnTo IdEaL?)
que, por nem tão pouco conhecer, sei descrever
única e exclusivamente, quase como notícia do
jornal mais caro da papelaria ao lado, em sonhos.
Embora andasse eu em águas puras penetráveis
de desfiladeiros que são gargantas sem secar e
que cantam profundezas de vales e rios rápidos.

Tomam, inocente e irremediavelmente, o ideal
por, veja-se lá a inocência desses sem remédio,
perfeito. Muito me engano, eu, a eles não igual
e, assim sendo, pobre. Pobre sou. Pobre sou eu.
Pobre eu. Repetidamente pobre por ser pobre.

Não queria ser áspero ao ponto de deixar aqui
atestado, neste poema cheio de vírgulas e outros
sinais de pontuação sobre um lenço de papel
tão sedoso e calmo quanto transcendente, isto:
como vírgula esquecida, vai a minha vida… - vida?

E neste olhar mais que cinzento florestal nem vejo
nada, tirando o lenço de papel seda e mar imenso…
Porque não pude. Porque não pude escolher!

(Assoei o nariz. Afinal o lenço sempre me serviu de alguma coisa!)


28 de janeiro de 2016

1919

Futuro sem passado
Ovelha sem rebanho
Desenho inacabado
Amigo conhecido, estranho

Sem a tua pessoa,
Estarei assim, à toa
,
Ilha sem água ao redor
Sapato sem sola
Tese decorada, não sabida de cor
O Ronaldo sem bola

É assim que me sinto sem ti

Morte sem o coração parar
Uma estrofe minha sem rimar!
Ir à lua e não voltar
Ter praia sem mar
O céu sem estrelas a brilhar...

Adele sem voz
Zé Cabra com ela
Enzo Ferrari não veloz
Irina Shayk não bela
Tino de Rans com a presidência
Einstein sem inteligência
Immanuel Kant com negligência
Relvas sem equivalência

Oprah em falência!

(A essência do poema está na primeira letra de cada verso, MUITO LITERALMENTE).

2 de dezembro de 2015

Manifesto Anti-TVI e por extenso

BASTA PUM BASTA!

UMA GERAÇÃO, QUE CONSENTE DEIXAR-SE REPRESENTAR POR ESTA CADEIA DE TELEVISÃO É UMA GERAÇÃO QUE NUNCA O FOI! É UM GRUPO DE SOCIALÕES, DE INDIGNOS E DE CEGOS! UMA RESMA DE INCOMPETÊNCIA E DE PAROLICE, E SÓ PODE PARIR ABAIXO DE ZERO!

ACABE A TVI, ACABE! PIM!

UMA GERAÇÃO COM TVI É UM LEPROSO GANHAR UM BRAÇO DE FERRO!

UMA GERAÇÃO COM TVI É A RITA PEREIRA EXIBIR MERA LINGERIE NA PLAYBOY!

UMA GERAÇÃO COM TVI É O BIG SHOW DA WWE NUM RODEO COM A OVELHA DOLLY!

UMA GERAÇÃO COM TVI É A VOLKSWAGEN SEM FRAUDES FISCAIS!

UMA GERAÇÃO COM TVI É PINTO DA COSTA CHAMAR "OTÁRIO" A BRUNO DE CARVALHO E O MESMO NÃO EMITIR UM COMUNICADO!

UMA GERAÇÃO COM TVI É O ANDRÉ SARDET FAZER UMA MÚSICA SEM A PALAVRA "BEIJO"!

UMA GERAÇÃO COM TVI É A TAYLOR SWIFT LANÇAR UMA MÚSICA A CELEBRAR O AMOR!

A TVI É UM PEDAÇO ENORME DE ESTERCO!

A TVI É UM MONTE DE TRAMPA!

A TVI SABERÁ DAR PRÉMIOS EM DINHEIRO, SABERÁ MAQUILHAR IDOSAS PARA AS COLOCAR COMO VASOS NA PLATEIA, SABERÁ FAZER INTERVALOS DE DUAS HORAS ENTRE REALITY SHOWS. SABERÁ TUDO MENOS SER UMA TELEVISÃO COM CONTEÚDOS PARA MENORES DE 60 ANOS!

A TVI SABE TANTO DE CULTURA COMO O FILHO DO RONALDO DE MATERNIDADE!

AS AUDIÊNCIAS DA TVI HAVIAM DE CAIR COMO O GOVERNO!

OS REPÓRTERES DO SOMOS PORTUGAL CONSEGUIRIAM ALIMENTAR TODOS OS REFUGIADOS COM A QUANTIDADE DE CHOURIÇOS QUE ENCHEM DURANTE AS TARDES DE DOMINGO!

O JORNAL DA NOITE DE DOMINGO SEM O MARCELO REBELO DE SOUSA VAI SER COMO O MILÚ SEM O TINTIM!

AS NOVELAS DA TVI SÃO TÃO "ESPETÁCULO" QUE EU PREFIRO VER O PREÇO CERTO!

A TVI NÃO FEZ MAIS UMA CASA DOS SEGREDOS ESTE ANO PORQUE ERAM PRECISO VACAS PARA COBRIR A CRISE DOS LACTICÍNIOS!

TVI É TVI!
BASTA!


10 de novembro de 2015

Morte

Dobro a folha a meio e quero atirar,
Está amarrotada, mas acredito, vou acertar.
Nas costas, tem um poema de pequeno calibre em cada
Bala, ou até mesmo nada.

Atenta, a letra não é pequena e dispara a cada linha onde vais,
Melhoro a caligrafia, miro ainda mais,
É cegueira que me faz mover.
Ah! Enganei-me neste esforço, começa a chover
Na folha, uma rasura aqui e acolá,
Amarrotada, mas seca para já.

Levanta a cabeça
E compõe o capacete, rapaz,
Olha
E não tenhas pressa,
Joga as cartas, bate na mesa e nunca voltes atrás,
E olha o alvo, dama de copas, está escrita na folha,
E vê o que fazes:
Parte, volta a levantar;
Dá, volta a compor.
Volta a olhar a mão e joga trunfos e ases,
E liga a luz, para de jogar.
E pega na arma preta da dor.
E compõe a escrita, rapaz,
Está bem, em ti o ego,
Melhor, em mim,
Assim.
Não deixes que ela te veja por aí,
E, moço, na escrita, leigo, fere,
Para de ser meigo e
Escreve!
Falhaste…
Olhaste e não viste,
Estavas cego.

Agora,
Tu?
Mataste-me, abriste-me a mim,
E ao envelope cinzento
Desta carta que te enviei, e, por fim,
Doutora do sentimento,
Fazes a tua autópsia,
Lendo-a e relendo-a,
Procurando inúmeras mentiras, cá dentro do teu paciente.
Eu, de anatomia deficiente,
Concedo-te mais um desejo e
Finjo para ti!
Toma
Ódio,
Desprezo,
Indiferença,
E do que houver e restar de mau:
Tudo.

Sim,

É verdade que luto,
Sou soldado, valete de espadas, falhado,
Neste campo, de linhas e palavras, riscado
E tudo o que mato, mentindo,
É preto e encarnado,
Criando sangue,
Criando o coração.

é amor.

Disse a verdade a tempo,
Fiquei sem balas.




1 de novembro de 2015

Sobre Aquela Que Sorri

No momento em que olho para aquela criança a gemer de alegria e a pegar no pequeno cigarrinho que, de mansinho, tirava do maço, senti a esperança na humanidade a ir-se, junto com o fumo daquela nuvem tão fresca e cheia de vida, repleta com a essência jovem e o espírito rebelde da inocência por explorar. A pequena esboçava um sorriso, e eu esforçava-me por entender. 
Não sou exemplar: ninguém o é. Damos poder a coisas assim, pequenas como nada, para levar consigo aquilo que nos enchia por dentro. As pessoas fumam, bebem, comem, engasgam-se. Às vezes, tenho pena de não saber mais sobre vícios para poder olhar nos olhos da menina sorridente e ver quando ela se engasga. Repito: não sou exemplo, ninguém o é.
É nos outros que sinto o eu a reconhecer as falhas que também serão minhas. Quando falho, da mesma forma que os outros fazem, esqueço-me do eu que tanto julgou e olhou tão escandalosamente. Aí, já sou "os outros", tão feliz, de copo cheio e espírito vazio. Saúde.