8 de agosto de 2015

Quarto

Física. Palavra na minha mente. Caneta na minha mão. Vontade no peito.
Sempre fui assim, nunca mudei. Desde pequeno, caneta na mão. A mãe insistia, eu fazia. Nunca me importei, foi um hábito adquirido, foi o crescer intelectual conjugado com a realização individual de que seria maior se a caneta estivesse sempre na minha mão. Nunca a larguei, apenas para acender os cigarros dela. Agora é que não a largo: eu e a Física somos um só. Latejante sensação, cérebro em êxtase, peito em explosão: vontade. Este será o movimento perpétuo de que todos falam, ele existe e é infinito. O movimento perpétuo está aqui, é meu, e este tubo de tinta preta nunca cairá novamente no chão para que eu possa acender cigarros de putas ordinárias destruidoras de isqueiros e memórias.


Fantástico: tanto branco tingido a preto, fiz um bom trabalho. Auto consolação sempre fez parte, sou o meu melhor amigo e isso torna-se claro, ou melhor, preto gatafunhado.

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