Física. Palavra na minha mente. Caneta na minha mão. Vontade
no peito.
Sempre fui assim, nunca mudei. Desde pequeno, caneta na mão.
A mãe insistia, eu fazia. Nunca me importei, foi um hábito adquirido, foi o
crescer intelectual conjugado com a realização individual de que seria maior se
a caneta estivesse sempre na minha mão. Nunca a larguei, apenas para acender os
cigarros dela. Agora é que não a largo: eu e a Física somos um só. Latejante
sensação, cérebro em êxtase, peito em explosão: vontade. Este será o movimento
perpétuo de que todos falam, ele existe e é infinito. O movimento perpétuo está
aqui, é meu, e este tubo de tinta preta nunca cairá novamente no chão para que
eu possa acender cigarros de putas ordinárias destruidoras de isqueiros e
memórias.
Fantástico: tanto branco tingido a preto, fiz um bom
trabalho. Auto consolação sempre fez parte, sou o meu melhor amigo e isso
torna-se claro, ou melhor, preto gatafunhado.
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