O cantor Dino Meira enfatiza-o bem: "meu querido mês de Agosto"(sim, escrevi agosto com letra maiúscula porque a faixa em questão foi lançada antes do novo acordo ortográfico, não digam que escrevi mal. Estou a brincar, sei que não repararam, porque na verdade ninguém quer saber, exceto nós, adolescentes com exame de Português no 12º ano).
Prosseguindo. Este mês é mesmo querido. Para qualquer adolescente, queridíssimo, sendo sinónimo de férias. Há muito calor, boas temperaturas, e... Emigrantes. Sim, este texto é sobre a altura do ano que marca o regresso dos mesmos a casa! Finalmente escrevi-o diretamente!
Esta altura do ano é caracterizada, acima de tudo, pela variedade de matrículas que se observam, pelo que a frase que mais profiro no mês de agosto é "de que país é aquela matrícula?". Oh, desculpem, não é. A frase mais dita é "Está uma tineira do caraças". Essa sim, é the real deal.
Nota também para as aparelhagens sonoras das viaturas dos emigrantes, que se fazem ouvir em todas as ruas de todas as cidades, sejam elas grandes metrópoles ou apenas bonitos aglomerados de habitações sem qualquer ex libris. É nessas alturas que me apercebo da grandeza da televisão portuguesa. Obrigado TVI Internacional, SIC Internacional, e RTP Internacional por darem a conhecer a todo o mundo programas como o Somos Portugal que promovem precisamente o estilo de música (e consequentemente os artistas) que soa nas colunas das viaturas.
As viaturas vêm de todo o lado, mas as viaturas francesas estão claramente em vantagem. Para avaliar tal parâmetro, basta uma pessoa deslocar-se ao hipermercado local e fazer matrícula-catching no parque de estacionamento. Aquando da prática de tal atividade, é natural que se ouça a frase "Michel, tu va tomber" e também a clássica "Oh mon Dieu de la France". É tão bom ver uma modesta cidade a "internacionalizar-se".
Este período do ano remete-nos para as Invasões Francesas, só que com algumas diferenças. Algumas.
Já hoje em dia revelam-se ligeiras diferenças. Os indivíduos vêm para o extremo Sudoeste da Europa para conviver amigavelmente com lusos, vestidos com camisolas do Cristiano Ronaldo dentro de um Renault Clio. Ou Opel Corsa. Normalmente com vidros fumados. Admito que generalizei demasiado agora nos carros, mas é uma balela que tem um fundinho de verdade. Com base nas camisolas de Ronaldo pode-se estabelecer uma hierarquia: se for do Real Madrid, o indivíduo em questão é "menos emigrante" do que um outro que possua uma camisola da seleção das quinas, mas isso às vezes não significa nada, porque o traje do invasor gaulês de hoje em dia também pode ser caracterizado pela Cruz Latina ao peito, pelas meias por dentro das sandálias, e também pelo logótipo da seleção nacional no vidro traseiro do respetivo automóvel. Qual Esfera Armilar qual quê, o povo quer é bola! Michel, jouer le ballon! Regardez comme Ronaldo!
Apesar de todas estas balelas, é de louvar o patriotismo dos que estão lá fora. Em termos de amor à pátria, há muitos que estão lá fora que se agigantam perante certos revoltados que por aqui vagueiam. A todos os emigrantes, um bem-haja!
NOTA: Apesar de conter vocabulário de 3 idiomas diferentes, este texto não foi escrito pelo Emanuel. Mesmo que alguém o insinuasse seria mentira, porque estão a decorrer os ensaios para o Somos Portugal deste fim de semana e o artista não tem tempo para mais nada.
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