7 de agosto de 2015

Lâmpada Intermitente

Possivelmente, acho que faz sentido poder tocar sem nunca ter tocado ou ver sem sequer ter visto. Acho fascinante esta massa cinzenta que me impele às ideias desmedidas que governam um espírito que toca sem nunca ter tocado e vê sem nunca ter visto, uma mente que se ilumina tão espontaneamente que acaba por extravasar por completo a minha necessidade de conhecer a essência do Universo. Agrada-me a ideia das coisas, das pessoas, do mundo. Supor supera largamente saber: a expectativa é melhor que a constatação, apercebo-me disso com relativa frequência.


Por nunca ter tocado e por nunca ter visto, sinto-me no direito de tocar e ver livremente aqui, neste bolbo cinzento que cresce e morre com as estações, e que continua enterrado e condenado a tocar sem nunca ter tocado e a ver sem nunca ter visto. E ser assim, fazer sem sequer ter feito, é melhor do que fazer efetivamente, porque na prática, eu não tocarei da forma que tocava sem ter tocado e não verei da forma que via sem ter visto. A ignorância é uma bênção de mão dada com o sonho.

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