1 de novembro de 2015

Sobre Aquela Que Sorri

No momento em que olho para aquela criança a gemer de alegria e a pegar no pequeno cigarrinho que, de mansinho, tirava do maço, senti a esperança na humanidade a ir-se, junto com o fumo daquela nuvem tão fresca e cheia de vida, repleta com a essência jovem e o espírito rebelde da inocência por explorar. A pequena esboçava um sorriso, e eu esforçava-me por entender. 
Não sou exemplar: ninguém o é. Damos poder a coisas assim, pequenas como nada, para levar consigo aquilo que nos enchia por dentro. As pessoas fumam, bebem, comem, engasgam-se. Às vezes, tenho pena de não saber mais sobre vícios para poder olhar nos olhos da menina sorridente e ver quando ela se engasga. Repito: não sou exemplo, ninguém o é.
É nos outros que sinto o eu a reconhecer as falhas que também serão minhas. Quando falho, da mesma forma que os outros fazem, esqueço-me do eu que tanto julgou e olhou tão escandalosamente. Aí, já sou "os outros", tão feliz, de copo cheio e espírito vazio. Saúde.

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