Voltei a encontrar o que me faltava,
O que há muito estava perdido,
Assim pensava eu, prisioneiro rendido,
O que quero e não queria, o que a ninguém dava:
Aquilo que se escreve, as palavras,
Com o seu tom e cor mais que diferente
Pensando na ideia feliz mas maldita e doente
De já nem me questionar sobre as que foram ditas.
A resposta sou eu e mais alguém.
Espero estar correto, já que a razão não está morta,
E que a verdade calque a mentira e não fique torta,
Que essas duas se unam e vivam em mim mas tu também.
E questiono, sem a mínima exceção, todos vocês
Exatamente o mesmo que vocês a mim:
O porquê desse sentimento, do seu início e do seu fim,
E a irrealidade do seu crescer numa tamanha rapidez.
Se tudo o que sinto e não sinto
Sinto e não sinto à flor da pele, quase do nada,
Então, por enquanto, pouco faço eu nesta vida
E menos ainda vivo, mas não minto:
Diga-se que fiz as malas e deixei esse lugar de que não falas
Ao encontrar uma fonte de oxigénio e água fresca pura
Que procurei, esperançoso de não encontrar, e acredito ser segura,
Pois quis ser ignorante e não comer os degraus das escadas
Mas eu consegui subir e, agora, aqui me encontro
Tenho vontade de dar um passo saltando deste telhado,
Cair na realidade e por ti ser achado
E, aí, esperar vivamente pelo que me aguarda, o futuro.
Será que ainda sinto o açúcar desta amargura?
Sim, eu sinto
Não, afinal não sinto, eu minto
Porque eu não sou mole e ela não é dura.
Uma pergunta simples para nós os dois:
Se o tempo voltasse,
Farias o mesmo?
Prefiro responder depois.
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