16 de agosto de 2015

Ferida

Fita, sangue, rosa
Lisa, líquida, espinhosa
Essa cor, pigmento
Esbatido, fraco, dorido, sentido,

Senti-a

Foi essa fita que me marcou muitas
Páginas,
Essas tantas, com água tingida, marcadas
Por hemorragias não coalhadas:
O vermelho ficou azul revoltado;
Voltando o vermelho, o azul falsamente preto é virado;
E o preto solitário viveu no branco nu,
Agora, fachada, mal vestido

Perdoa-me algumas rosas que não cortei,
E todas as coisas que nunca te dei,
Querias tanto e não querias branco!
Só havia brancas, só há brancas, só vejo branco…
Pois tudo é tão claro numa hora:
Agora,
Como é bom pensar que não é tarde,
Mais que pensar no loiro, e viver na luz do verde

Na ferida

Pus um penso lento
Num coração de “homem” pouco verdadeiro,
Que forte me bate e vai explodindo
Esta cor do engano que fui bebendo,
E que, cá dentro, parece não me acabar por inteiro
Numa cicatriz que lembra o sentimento

Agora diz-me, tu, a mim
Qualquer engano:
Sou vermelho, eu, para ti?

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